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quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Ponto de Vista

Existe uma expressão que não possui uma importância apenas semântica, mas que também tem sua utilidade prática. Já há algum tempo ela chama minha atenção e me faz refletir de forma profunda sobre minhas opiniões. Essa expressão é a seguinte: “ponto de vista”. Expressão esta que tem muitos significados. Eu descobri, por exemplo, que nas artes “ponto de vista” é entendido como o ponto que o pintor escolhe para pôr os objetos em perspectiva. Todavia, não é exatamente esse uso da expressão aquele que mais me interessa (até porque minha veia artística nasceu trombosada). Sua forma figurativa, essa sim se presta aos propósitos que impulsionam minhas fantasias reflexivas sobre como é importante o tal “ponto de vista”. Assim sendo, apresento como encontrei no meu velho Dicionário Aurélio a definição de ponto de vista em sua forma figurativa: “maneira de considerar ou de entender um assunto ou uma questão, perspectiva”.


sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Vereadores, Sabedoria Grega e Economia

A sabedoria grega diz que “um homem nunca atravessa um mesmo rio duas vezes. O rio não é mais o mesmo. O homem não é mais o mesmo”. Acho que depois de ter visto o que eu vi em Maria da Fé e de ter discutido o que temos discutido nos últimos meses, acredito que eu próprio mudei (mais uma vez). Da mesma forma, posso dizer que “o rio já não é mais o mesmo”.

Considerando que o homem é a medida de todas as coisas, não me permito ver e interpretar o Mundo sem atribuir aos homens sua posição de encaixe em cada intervenção sobre a face da Terra. Talvez seja possível explicar as relações humanas como uma equação matemática. Basta atribuir a cada uma das variáveis envolvidas nessas relações pesos que são maiores ou menores de acordo com o grau de importância de cada variável isoladamente.

Variáveis negativas que eu considero decisivas nessas relações são: vaidade, ganância, soberba, inveja e rancor. Elas são parte do armamentário do ser humano no convívio social. Mas nas cidades pequenas sua importância parece ser potencializada como determinante da vida comum, talvez pelo fato de as pessoas viverem relações mais estreitas, dado o espaço geográfico restrito.

Um exemplo disso é a forma como os representantes de nossa cidade encaram o posicionamento da parcela da população insatisfeita com a seqüência interminável de administrações mal sucedidas. Houve aqueles que tentaram impedir que fossem tiradas fotografias dos infelizes desdobramentos advindos da obra de limpeza do Ribeirão Cambuí, outros dirigiram comentários inoportunos aos que se declaram contrários à conduta política dos atuais governantes. E, como se isso não fosse suficiente, alguns deles insistem em direcionar olhares de repúdio aos que se propõem a exercer sua cidadania.

Não gosto de subestimar as incompatibilidades interpessoais, os graus de inimizade e o histórico de convívio social entre os habitantes, mas acho que isso tudo deveria ser deixado de lado por um motivo razoável: construirmos uma cidade com boa qualidade de vida, melhores índices de escolaridade, políticas sociais concretas e uma economia forte. Contudo, o que vejo são os poderes executivo e legislativo conduzindo uma política administrativa cujas características evidenciam um atraso de no mínimo 40 anos. Continuam a fazê-lo propositalmente, e à revelia de qualquer apelo para que dêem um basta nisso.

Algo inquietante nesse contexto é a saúde da economia do município. É difícil imaginar desenvolvimento econômico em uma cidade de alma agrícola na qual a administração elege o turismo como “carro chefe”. Penso que o turismo deve ser incentivado sim, mas como uma atividade secundária. Mesmo em cidades muito visitadas, que beiram a perfeição arquitetônica e que contam com belezas naturais invejáveis a economia não se restringe ao turismo, mas antes, se presta ao fortalecimento de todos os setores produtivos. O slogan da campanha de Bill Clinton, nas eleições presidenciais de 1992 nos EUA, exprime bem o que eu penso sobre essas coisas. Quando perguntado sobre o que era importante para o futuro da nação, Clinton não hesitava em responder “é a economia, estúpido!”.

Maria da Fé tem problemas crônicos, dentre eles, construções irregulares, pobreza, má conservação das vias e prédios públicos e economia enfraquecida. Parte da responsabilidade por esse estado de coisas é dos vereadores que exercem sucessivos mandatos e que sequer apresentam um projeto relevante ou se manifestam em discussões importantes para o município, sendo capazes de se abster do voto quando apresentar um posicionamento é realmente necessário.

Ás vezes penso que um bom candidato a um cargo público em nossa cidade seria o personagem de desenho animado Homer Simpson. Diante de tantas condutas inapropriadas, declarações esdrúxulas e projetos de conteúdo lastimável, acredito que ele não tardaria em expressar o que eu acho que fica martelando diariamente na cabeça de nossos governantes: “por que que coisas que só acontecem com gente burra ficam acontecendo comigo?”.

Égua Astronauta

"A culpa é minha eu coloco ela em quem eu quiser"
                                                          Homer Simpson








terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Mudar o Mundo


Certa vez perguntaram à Margaret Thatcher, ex-Primeira Ministra do Reino Unido, se ela achava que uma pessoa sozinha seria capaz de mudar o Mundo. Ela respondeu o seguinte: “Mas não é isso o que sempre acontece?”. Pessoas com capacidade de realização, visão de futuro e competência não são raras, mas no exercício do poder público são incomuns. Quando elas aparecem fica óbvio seu talento, graças principalmente, a uma característica mercante: a capacidade de chamar a responsabilidade para si.

Apesar de termos exemplos recentes de pessoas desse tipo, eu gosto sempre de citar Juscelino Kubistchek. Passou pelos cargos de Deputado Federal, Prefeito de Belo Horizonte, Governador de Minas e Presidente do Brasil sempre como um político exímio e grande estadista. Como Presidente mostrou-se competente não apenas pela forma inata de governar, mas também por se cercar de pessoas que encontrariam ao lado dele a oportunidade para, exercendo suas funções, contribuir de forma plena com o país.

É difícil governar a esmo, talvez seja por isso que JK partiu do princípio e, como um bom inglês ou norte americano faria, elencou as principais limitações ao desenvolvimento do Brasil, a fim de orientar-se buscando a solução desses problemas. Daí surgiu o Plano de Metas (alimentação, energia, transportes, indústria de base e a meta síntese: Brasília). Os resultados foram como previa o lema: “cinquenta anos em cinco”. Por governar de forma planejada, JK permitiu, entre inúmeras outras coisas, o surgimento da indústria automobilística nacional e a criação da cidade que por muitos anos foi considerada uma das mais bem planejadas do mundo: Brasília.

Lúcio Costa criou no desenho do avião uma cidade divida em super-quadras, prédios erguidos sobre pilotis e um sistema de vias que se sustenta no “eixão”, uma pista de 3 faixas em cada sentido com velocidade limitada de 80 Km/h sem semáforos, quebra-molas ou qualquer outro impedimento, e que liga de forma rápida e prática as Asas da cidade. Oscar Niemayer, por sua vez, revolucionou a arquitetura e, entre outras coisas, reinventou o desenho das colunas, superando uma estagnação de mais de 3 mil anos nessa área.

Não me parece que o sucesso de homens como JK em governar seja um segredo. Algumas características claramente contribuem o bom exercício da arte e da ciência de governar: (1) capacidade de “chamar a responsabilidade” para si, (2) comprometimento com a função exercida, (3) planejamento, (4) estratégias baseadas em metas e, em especial, (5) cercar-se das pessoas certas.

Em Maria da Fé isso está longe de acontecer. A escolha de pessoas para cargos que dependem de indicação, por exemplo, muitas vezes não respeita critérios técnicos, o que torna difícil que as principais áreas nas quais é dividida a administração sejam conduzidas de forma profissional. Pessoas que não têm o que se chama de “mérito” ficam responsáveis por setores importantes da máquina administrativa.

Isso não causa apenas atraso, má administração dos recursos e pouca eficiência. Causa também destruição, dor, sofrimento e frustração. O que aconteceu com as margens do Ribeirão Cambuí exemplifica bem isso. As alterações no subsolo causadas por uma sucessão de erros em todo o transcorrer da obra, inclusive a falta de atuação imediata logo após o aparecimento dos primeiros pontos de rebaixamento do solo, culminaram com danos à estrutura das casas próximas ao rio. Algumas estão sob risco de serem engolidas pelas erosões/buracos que surgiram. Os moradores, cidadãos de bem, encontram-se esquecidos, isolados e sob risco de perderem o patrimônio fruto de trabalho árduo, precisando lutar sozinhos contra um problema “sem responsáveis”.

Sinto falta em nossa Cidade de governantes revolucionários, estadistas competentes e pragmáticos. As novas ruas, calçadas nas administrações das últimas décadas sequer possuem bueiros, que dirá sistemas eficazes de drenagem das águas pluviais? Os pré-candidatos a prefeito e vereador (conhecidos nos bastidores) são todos comprovadamente incapazes de pensar e agir como exigem as situações, como exige o século XXI. Sinto falta de muita coisa em Maria da Fé, principalmente sinto falta de alguém capaz de mudar o Mundo.

Égua Astronauta








sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Sobre Planejamento e Administração Pública

De acordo com o Dicionário Aurélio de Língua Portuguesa, planejamento é um “1. ato ou efeito de planejar. 2. Trabalho de preparação para qualquer empreendimento, segundo roteiro e métodos determinados. 3. Elaboração, por etapas, com bases técnicas (especialmente no campo socioeconômico), de planos e programas com objetivos bem definidos”.

Infelizmente, a nossa cultura, em geral, não contempla o planejamento como um e pré-requisito essencial para a realização das ações. Incluem-se entre os princípios de uma boa organização da vida em sociedade os planejamentos econômico, financeiro, familiar e profissional. O planejamento pessoal é um dos termos usados pelos administradores que mais me interessa do ponto de vista prático.

As pessoas tendem a pensar que planejar é algo que se destina àqueles que ganham bem ou que estão no controle de uma empresa (em geral, privada). Mas as boas práticas de organização sempre estão por trás do segredo de sucesso de alguns indivíduos que lidam com tarefas relativamente simples como cuidar de um rebanho ou organizar as finanças do lar. O problema é que nos ambientes acadêmicos tais procedimentos ganham nomes sofisticados como “práticas adequadas de manejo do rebanho” e “economia doméstica”.

A sistematização também é uma ferramenta importante. Seu conceito é um pouco diferente daquele do planejamento. Sistematizar é planejar as ações. Um bom exemplo é a sistematização do exame físico que o médico faz para avaliar o paciente. Ele ordena a seqüência daquilo que ele tem que fazer de uma forma tão organizada que não esquece de nada. Assim igualmente o faz o cirurgião e o confeiteiro. O início da industrialização, que foi possível principalmente por causa de alguém que pensou em produzir em série, também exemplifica como conceitos simples podem ser o alicerce de grandes revoluções.

Planejar e sistematizar têm utilidade inestimável na prática. Não é incomum vermos na televisão pessoas que ganham salário mínimo e alcançaram (por mérito próprio) o sonho da casa própria, o carro na garagem e o estudo dos filhos. Lembro-me de uma senhora cujas condições socioeconômicas eram bastante limitadas, mas que peregrinava pelos supermercados de sua cidade comparando preços. Por causa disso, e de outras boas condutas parecidas com essa, conseguiu poupar uma respeitável quantia em dinheiro.

As pessoas que resolvem adotar essa linha de pensamento e estilo de vida não se arrependem. Elas ficam livres de influências e flutuações políticas e econômicas, que são uma espécie e tradição nos pequenos municípios do nosso país. São pessoas que contribuem mais do que são ajudadas e fazem com que a estagnação social seja superada. Não dependem de tijolo, telha, areia, dentadura, carona e medicamentos dados pelos políticos (em prefiro usar o termo politiqueiros), não porque ganham o bastante, mas porque tomam as rédeas de suas próprias vidas.

É triste ver que em Maria da Fé representantes dos poderes Executivo e Legislativo sequer esboçam noções básicas acerca de planejamento. Não se trata de ter doutorado no tema, mas mesmo nas mais conceituadas escolas de Administração que possuem disciplinas de Administração Pública considera-se difícil formar um bom administrador na área, o que dirá dos prefeitos e vereadores que nem ao menos conhecem o tema. Portanto, não adianta preferir pensar que isso é coisa de gente “sistemática” ou mesmo penar que existem outros caminhos, porque eles não existem. Ou adota-se planejamento e sistematização da coisa pública ou fica-se exercendo uma administração com ações provisórias e legislando sobre banalidades.

Acho que seria razoável pensar em oferecer ensino em planejamento para os agricultores da nossa cidade (como financiar seus custos, investir em tecnologia, entender do mercado de seu produto, entender das linhas de crédito e como elas podem ser usadas de forma apropriada), para os comerciantes e para as pessoas em geral (com especial atenção para crianças e jovens). Mas considerando a história administrativa do nosso município eu não consigo identificar se houve um momento em que estivemos perto disso, nem mesmo vislumbro tal ocorrência num futuro próximo. Mas uma boa idéia seria começar com o ensino dessa “disciplina” aos nossos representantes.

Égua Astronauta